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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Singular




No meio de tantas outras
Ela se destacou
Não por ser melhor que as demais
E nem a mais bonita

Ela era única
E sobreviveu no jardim que não era seu

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Lição de Dôra Doriana

A manhã estava linda...
O sol bateu na janela com aquele 'sorriso' que preenche qualquer vazio que insiste em continuar naqueles dias frios.
O jardim recebia o brilho do sol como se fosse um mergulho na própria vida.
As flores exalavam um aroma tão gostoso e as cores de suas pétalas eram confundidas com as asas das borboletas que dançavam no ar.
O beijo-flor azul enamorava as flores encantado com tamanha beleza.
Não.
Não era uma beleza qualquer...
Era como a beleza de Dôra Doriana.
Dôra Doriana era uma mulher sofrida, pele queimada de sol, rugas nos olhos e testa, mas o sorriso dava um ar tão jovial àquela face que chamava a atenção de todos que a rodeavam e até de quem a desconhecia.
Dôra Doriana, era mulher na carne. Na alma, menina.
Os anos castigavam seu corpo, porém continuavam intactos o seu desejo de viver e apreciar o que muitos já desaprendera.
Gostava de conversar com as rosas. Seriam amigas desde a infância?
A brisa da manhã tocava em sua face e Dôra Doriana ria como se fossem cócegas naquele rosto marcado pelo tempo.
Adorava quando a chuva a visitava sem marcar hora. Ela não tinha agendas. Seu horário estava sempre à disposição da vida.
Dôra Doriana era uma mulher que carregava muitas cicatrizes mas não deixava que nenhuma dessas trouxessem a dor das lembranças. Ela sabia que o passado já não mais existia e que estar no presente era o presente mais bonito e gracioso que poderia usufruir.
Tantas marcas...
Tantas dores...
Nada disso a fez perder o brilho dos olhos e compartilhar aquele sorriso contagiante.
Dôra Doriana aprendeu a viver naquele mundo rotineiro. Cotidiano simples.
Mas acima de tudo... Aprendeu não a sobreviver... Viver!
E tudo isso, porque deixou de correr para contemplar.
Contemplar a beleza da vida.
A beleza que há em viver.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Que saudade de você...


A saudade que mais dói é daqueles momentos que não tive com você.

Chorei...

As lembranças vieram: seu rosto, seu jeito, seu sorriso, seu olhar, seu cuidado...

Então senti dor.

Dor da saudade.

Saudade dos momentos que não vivi ao seu lado.

Saudade dos beijos que você não roubou.

Saudade dos teus braços me apertando contra seu corpo que nunca foram dados.

Saudade de andar de mãos dadas na pracinha que nunca existiu.

Você não iludia, você iluminava...

Saudade dos nossos olhares e da nossa única dança.

Saudade das nossas conversas e dos nossos silêncios.

Tanta coisa pra se dizer e nada foi dito.

Foi a falta de coragem? Ou foi o medo de machucar?

Não importa mais...

Sinto dor de qualquer jeito.

Guardo comigo a nossa única fotografia e ainda ouço você no portão me dizendo: 'Você está linda!'

Ah! Que saudade de tudo aquilo que poderíamos ter vivido. Mas não vivi...

A vida achou que era hora de você partir.

Você se foi. Eu fiquei.

Você e a foto.

Eu e a saudade...

***

Texto que escrevi especialmente para o site do Scribe