quinta-feira, 10 de março de 2016

Uma vida cheia de graça... E gratidão

Meus presentes
Tudo o que sou aprendi observando seus passos
Tudo o que sou aprendi observando seus atos
Tudo o que sou aprendi observando seus gestos
Tudo o que sou aprendi observando suas reações e modo de falar

O que sou?
Uma pedra bruta a ser lapidada
Não chego aos pés de quem são
Sábios, caráter irrepreensível, honestos, corretos, justos,...

O que sou?
Aquela que persegue seus passos
Que ama estar por perto
Que sente quando estão longe
Que se alenta com um simples olhar
Que sorri com seus pequenos gestos
Que gargalha com suas palhaçadas

Sou filha
Sou aprendiz
Sou amiga
Confidente
Sou parte de vocês e vocês parte de mim
Somos um!
Minhas jóias

Quem sou eu?
Já não sei mais...
Me perco nas bagunças
Vocês soltam a menina que vivo prendendo dentro de mim
Vocês alegram minha vida
Me tornam a tia mais doida

O que faço?
Não posso dizer...
Perto de vocês sou mais criança
Corro, brinco, canto, danço
Sinto dores nas juntas já não sou mais menina
Mas as dores são curadas com a presença de vocês

O que será de mim?
Não faço ideia
Não há o que planejar
A gente vive e juntos transbordamos
Somos um bando de doidos
Cantores de um único violão
Festa é nosso sobrenome

Vocês são a parte que desperta a menina que há em mim...


Sou grata a Deus por mais um ano de vida
Por Sua graça que me faz despertar todos os dias
Por Sua misericórdia que me alcança antes mesmo do sol nascer
Por Seu amor que é inexplicável
Por Sua vida que gera vida em mim
Obrigada, Senhor!
O que seria de mim se não fosse você?

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Minha vida é tão corrida



-Você viu? Seu filho deu o primeiro sorriso!
- Não! Estava vendo como vou pagar as contas. Minha vida é tão corrida...

- Você viu? Seu filho deu os primeiros passinhos!
- Não! Estava folheando meu caderno de receitas. Minha vida é tão corrida...

- Você viu? Seu filho já sabe ler e escrever!
- Não! Estava na academia lutando pra emagrecer. Minha vida é tão corrida...

- Você viu? Seu filho está apaixonado!
- Não! Estava resolvendo alguns problemas sobre o escritório. Minha vida é tão corrida...

- Você viu? Seu filho está tão triste!
- Não deve ser nada. É coisa da idade... Minha vida é tão corrida...

- Você viu? Seu filho anda muito calado!
- Não é nada. Ele é assim mesmo. Minha vida é tão corrida...

- Você viu? Seu filho estava no meio daquela briga que passou no jornal.
- Se ele apanhar, tem que bater... Minha vida é tão corrida...

- Você viu? Seu filho chorou até soluçar e eu acho que ele precisa...
- Não vi. Não percebi. Estava no celular quando ele chegou. Minha vida é tão corrida...

...

- Você viu meu filho?
- Vi. Mas creio que você não terá tempo pra ele...

...

A mãe chora. O pai chora. Os irmãos choram.
A vida é tão corrida...
Não se pode perder tempo com conversinhas porque o tempo [$] vai embora muito rápido.
Não se pode perder tempo observando a face dos filhos porque a vida que ele leva aborrece muito e falta paciência.
A vida é tão corrida.
Preciso correr atrás de dinheiro pra pagar as contas, o carro novo, o novo apartamento, as roupas que foram compradas na grife, os sapatos e sandálias igual daquela famosa modelo. Preciso correr atrás de dinheiro e pra isso preciso bater as minhas metas tanto da minha lista pessoal como da empresa.
Minha vida é tão corrida.

- Você viu meu filho?
- Vi. Mas creio que você não terá tempo pra ele. Já não sentirá o calor do seu corpo. Nunca conhecerá o seu abraço e seu beijo na face. Você correu tanto e esqueceu seu filho. Ali. Ali atrás.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A dona do Reino

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
Pessoas perdidas sem enxergar o caminho que percorriam

Enganadas e enganando
Rindo querendo chorar

Assustadas e prepotentes
Orgulhosas e cansadas

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
Pessoas perdidas gritavam pelo caminho que percorriam

Pedidos de socorro
Xingos e resmungos

Medrosas e irônicas
Fortes em suas fraquezas

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
Pessoas perdidas morriam pelo caminho

Não aceitaram a mão estendida
Não aceitaram o ombro amigo
Não acreditaram na verdade
Não aceitaram mudar de vida

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
A luz intensa iluminava o interior que antes fora rejeitada
E o choro já não se ouvia mais
Havia música e danças
Sorrisos e abraços

A escuridão não conseguiu engolir o que havia lá dentro
Onde há luz tudo que está em trevas se dissipa e a vida renasce

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
E a luz brilhava aqui dentro reinando majestosamente

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Reencontrar é reviver

Se existe uma coisa que torna o meu dia pra lá de feliz é quando acontece um reencontro.
Reencontrar pessoas que marcam a nossa vida de um jeito leve e profundo.
Ainda que virtual, a gente acaba revivendo momentos preciosos que não se apagam com o tempo.
Algumas pessoas eu não tinha contato há mais de 20 ou até 25 anos e surgiram como um pacote embrulhado em papel de presente com aquele caprichado laço.
Não esqueço as pessoas que fizeram e fazem parte da minha história.
Não esqueço os sorrisos, os bons papos, o compartilhar do sorvete que minha mãe fazia em casa.
Não esqueço a rodinha de amigos no intervalo da escola ou o papo rápido de 10 minutos de cafezinho nas empresas onde trabalhei,...
Saudade...
Saudade e alegria de rever, reviver e reencontrar!
O reencontro é quando o que ficou lá atrás corre para os braços do hoje e faz o coração disparar de alegria.
Rever (virtual ou não) é relembrar, trazer a memória os momentos gostosos e divertidos. Por que não os momentos tristes também?
Reviver é o beijo que o ontem deu no hoje e faz a gente perder o sono ao lembrar de momentos que ficaram na história mas que, por algum motivo adormeceram em algum departamento do nosso coração.
Iniciei 2016 com surpresas lindas e que me emocionaram tanto que me peguei rindo sozinha e até uma lágrima veio me visitar...
Amigos de escola que a gente nunca imagina reencontrar e lá estão eles, diante de nós, ainda que numa telinha... No nosso bendito mundo virtual.
Relembrar momentos que tive com minhas amigas dentro e fora da escola. Amigas de confidencias, amigas de risadas...
Relembrar momentos que tive com amigos de colégio que nem eram da minha classe mas que eram como a minha segunda família. Era tão bom estar com eles... Havia tanto respeito, a amizade era sincera e o tempo não a dissipou.
Eu sei... Sou nostálgica. Mas o que seria de mim se não fosse o que vive ontem?
O que seria de mim se não os tivesse conhecido?
Minha história é rica porque todas essas pessoas deixaram a sua marca em mim e nada e ninguém pode apagar.
Que este ano que todos já esperam tanta dificuldade e luta tenha vários e pequenos oásis... E que nestes oásis, o rever, reviver e reencontro traga esperança e alegria.
Visite o passado e traga de lá só aquilo que faz bem pro seu coração.
Essa é a minha dica pra este novo ano.
Pra mim.
Pra você.


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A semeadora de palavras


O sol rompeu com força e o céu era uma aquarela magnífica

Nas mãos da pequena menina um punhado de sementes.

Mas não eram sementes qualquer, o formato era estranho.

Algumas tinham furinhos, outras eram delineadas e ainda outras um tanto tortas...

Com as pequenas mãos acariciou a terra e fez um buraco que cabia a palma de sua mão.

Plantou algumas sementinhas e acariciou a terra novamente fazendo com que a terra abraçasse as sementes com carinho.

Regou com sorrisos.

Regou com uma esperança desconhecida.

Novamente acariciou a terra e fez mais alguns buracos até que todas as sementes estivessem repousando como uma criança dentro de um cobertor bem quentinho.

Regou com sorrisos.

Regou com uma esperança desconhecida.

Vieram dias nublados e dias ensolarados.

Vieram tempestades e dias com cara de felicidade.

Até que um broto surgiu delicadamente e tímido.

Vieram dias chuvosos e dias com um lindo arco-íris.

Vieram dias de lágrimas e dias de sorrisos.

A primeira flor nasceu anunciando que o fruto logo surgiria.

Até que em uma manhã, o coração da pequena amanheceu com uma alegria que não cabia dentro dela.

Não sabia o motivo...

Era uma daquelas alegrias que nos rouba sorrisos e nos faz dançar mesmo sem música.

Diante dos olhos da pequena uma árvore nunca vista: flores de todas as cores e um aroma jamais sentido antes...

Ela sentou-se debaixo da árvore acreditando que o milagre era a sombra e também as flores que seus olhos conseguiam enxergar, até que um vento soprou suas notas musicais e o primeiro fruto caiu em seu colo.

Seus olhos se encheram de lágrimas...

Um sorriso tomou conta de todo o seu pequeno rosto...

Delicadamente abriu o fruto e saboreou seus gomos.

Era doce e um tantinho ácido... Mas era delicioso!

E como num passe de mágica... De seus lábios brotaram os mais lindos e inspiradores poemas e poesias.

Foi quando ela descobriu que havia sido escolhida desde o ventre de sua mãe para ser uma semeadora de palavras.