segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A dona do Reino

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
Pessoas perdidas sem enxergar o caminho que percorriam

Enganadas e enganando
Rindo querendo chorar

Assustadas e prepotentes
Orgulhosas e cansadas

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
Pessoas perdidas gritavam pelo caminho que percorriam

Pedidos de socorro
Xingos e resmungos

Medrosas e irônicas
Fortes em suas fraquezas

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
Pessoas perdidas morriam pelo caminho

Não aceitaram a mão estendida
Não aceitaram o ombro amigo
Não acreditaram na verdade
Não aceitaram mudar de vida

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
A luz intensa iluminava o interior que antes fora rejeitada
E o choro já não se ouvia mais
Havia música e danças
Sorrisos e abraços

A escuridão não conseguiu engolir o que havia lá dentro
Onde há luz tudo que está em trevas se dissipa e a vida renasce

A escuridão havia engolido tudo que havia lá fora
E a luz brilhava aqui dentro reinando majestosamente

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Reencontrar é reviver

Se existe uma coisa que torna o meu dia pra lá de feliz é quando acontece um reencontro.
Reencontrar pessoas que marcam a nossa vida de um jeito leve e profundo.
Ainda que virtual, a gente acaba revivendo momentos preciosos que não se apagam com o tempo.
Algumas pessoas eu não tinha contato há mais de 20 ou até 25 anos e surgiram como um pacote embrulhado em papel de presente com aquele caprichado laço.
Não esqueço as pessoas que fizeram e fazem parte da minha história.
Não esqueço os sorrisos, os bons papos, o compartilhar do sorvete que minha mãe fazia em casa.
Não esqueço a rodinha de amigos no intervalo da escola ou o papo rápido de 10 minutos de cafezinho nas empresas onde trabalhei,...
Saudade...
Saudade e alegria de rever, reviver e reencontrar!
O reencontro é quando o que ficou lá atrás corre para os braços do hoje e faz o coração disparar de alegria.
Rever (virtual ou não) é relembrar, trazer a memória os momentos gostosos e divertidos. Por que não os momentos tristes também?
Reviver é o beijo que o ontem deu no hoje e faz a gente perder o sono ao lembrar de momentos que ficaram na história mas que, por algum motivo adormeceram em algum departamento do nosso coração.
Iniciei 2016 com surpresas lindas e que me emocionaram tanto que me peguei rindo sozinha e até uma lágrima veio me visitar...
Amigos de escola que a gente nunca imagina reencontrar e lá estão eles, diante de nós, ainda que numa telinha... No nosso bendito mundo virtual.
Relembrar momentos que tive com minhas amigas dentro e fora da escola. Amigas de confidencias, amigas de risadas...
Relembrar momentos que tive com amigos de colégio que nem eram da minha classe mas que eram como a minha segunda família. Era tão bom estar com eles... Havia tanto respeito, a amizade era sincera e o tempo não a dissipou.
Eu sei... Sou nostálgica. Mas o que seria de mim se não fosse o que vive ontem?
O que seria de mim se não os tivesse conhecido?
Minha história é rica porque todas essas pessoas deixaram a sua marca em mim e nada e ninguém pode apagar.
Que este ano que todos já esperam tanta dificuldade e luta tenha vários e pequenos oásis... E que nestes oásis, o rever, reviver e reencontro traga esperança e alegria.
Visite o passado e traga de lá só aquilo que faz bem pro seu coração.
Essa é a minha dica pra este novo ano.
Pra mim.
Pra você.


terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A semeadora de palavras


O sol rompeu com força e o céu era uma aquarela magnífica

Nas mãos da pequena menina um punhado de sementes.

Mas não eram sementes qualquer, o formato era estranho.

Algumas tinham furinhos, outras eram delineadas e ainda outras um tanto tortas...

Com as pequenas mãos acariciou a terra e fez um buraco que cabia a palma de sua mão.

Plantou algumas sementinhas e acariciou a terra novamente fazendo com que a terra abraçasse as sementes com carinho.

Regou com sorrisos.

Regou com uma esperança desconhecida.

Novamente acariciou a terra e fez mais alguns buracos até que todas as sementes estivessem repousando como uma criança dentro de um cobertor bem quentinho.

Regou com sorrisos.

Regou com uma esperança desconhecida.

Vieram dias nublados e dias ensolarados.

Vieram tempestades e dias com cara de felicidade.

Até que um broto surgiu delicadamente e tímido.

Vieram dias chuvosos e dias com um lindo arco-íris.

Vieram dias de lágrimas e dias de sorrisos.

A primeira flor nasceu anunciando que o fruto logo surgiria.

Até que em uma manhã, o coração da pequena amanheceu com uma alegria que não cabia dentro dela.

Não sabia o motivo...

Era uma daquelas alegrias que nos rouba sorrisos e nos faz dançar mesmo sem música.

Diante dos olhos da pequena uma árvore nunca vista: flores de todas as cores e um aroma jamais sentido antes...

Ela sentou-se debaixo da árvore acreditando que o milagre era a sombra e também as flores que seus olhos conseguiam enxergar, até que um vento soprou suas notas musicais e o primeiro fruto caiu em seu colo.

Seus olhos se encheram de lágrimas...

Um sorriso tomou conta de todo o seu pequeno rosto...

Delicadamente abriu o fruto e saboreou seus gomos.

Era doce e um tantinho ácido... Mas era delicioso!

E como num passe de mágica... De seus lábios brotaram os mais lindos e inspiradores poemas e poesias.

Foi quando ela descobriu que havia sido escolhida desde o ventre de sua mãe para ser uma semeadora de palavras.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Uma taça, por favor!

Façamos um brinde aos dias tristes. Sem eles não haveriam sorrisos.


Dias difíceis nunca são fáceis de lidar.

E ela sabia disso muito bem...

Precisou aprender sozinha a se virar em todas as situações e mesmo sentindo as forças se esvaindo e a esperança se dissipando paulatinamente, ela ainda lutava pra se virar.

Até que em um dia daqueles em que o céu está cinza, a rua deserta, o vazio é gritante e a dor parece estrangular a alma... Ele surge!

Ela chorava compulsivamente...

Ele silenciosamente se aproximava com cuidado.

Gentilmente, Ele estendeu suas mãos e recolheu cada lágrima em uma taça e a guardou consigo. Passados os dias, aquelas lágrimas se tornaram em uma bebida doce e suave.

Levou até ela e pediu para que degustasse cada gole devagar e com o coração aberto.

Nasceu o sorriso!

***
Texto que escrevi para o Scribe

sábado, 28 de novembro de 2015

Um tapa na saudade

Quando a saudade bate


Hoje me bateu a saudade...

Saudade de momentos que não vivi

Saudade das lembranças remotas

Saudade dos risos e das conversas de outrota



Hoje me bateu a saudade...

Saudade da roda em torno do violão velho

Saudade das composições para as serenatas dos acampamentos

Saudade das amizades sinceras



Hoje me bateu a saudade...

E devolvi o tapa

Com um suspiro

Com um silêncio

Com uma lágrima

***
Escrito por mim para o Scribe