quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Abrindo a gaveta

Tenho a impressão de que o tempo não passou
Pedaços soltos do passado surgem no presente
Aquela sensação gostosa de que nada se perdeu
Guardadas na gaveta das lembranças
Folha sobre folha contam histórias
Páginas amareladas pelo tempo
Caligrafias desenhadas com arte
Algumas pétalas coladas em algumas palavras
Segredos, desejos, sonhos, saudades
Nossa história daria um livro e até uma canção
Cada nota ou cada palavra seria a razão
Do sabor, das lágrimas, suor e motivação
Pra não perder a esperança, nem a confiança
Pra não perder a beleza que a Vida nos dá
O futuro parece incerto
Não se vê nada depois da curva
A estrada tem neblina e parece que vem chuva
Aprendi na tempestade o valor da bonança
Minha coragem não é isenta de medo
Eu a enfrento com vontade
O futuro está nas Mãos de quem me conhece bem
Cada linha da minha vida foi Ele quem escreveu
Não desisto, não desanimo
Mesmo quando tudo parece em vão
Minha vida pertence a Ele e isso basta
Confio, creio e nEle sei que o melhor virá
De coração pra coração

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Lapidar é renascer

Os raios do sol queimam a pele cruelmente
O asfalto traga fortemente as altas ondas de calor
Quem caminha sente dificuldade de dar novos passos
Quem corre busca uma sombra desesperadamente

É necessário o sol pra vida
É preciso valorizar o seu significado
Sem ele não saberíamos o valor do frescor
Não daríamos importância a brisa que nos toca

Pior do que o calor que queima a pele
É o calor que queima a alma
Esse tenta destruir o que há de mais belo
Sem dó oferece dor e alimenta a raiva
Finge ser sol pra não mostrar as labaredas cruéis
Que carrega em seus braços mortais

Só uma coisa o detém
O reconhecimento de nossa humanidade
Somos pequenos e dependentes
Somos pedras brutas..., cheias de falhas

Lapidar até ganhar nova forma
Lapidar até renascer
Lapidar, lapidar, lapidar...
Lapidar diariamente
Lapidar a alma, coração...
Todo o nosso ser

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Lição de Dôra Doriana

A manhã estava linda...
O sol bateu na janela com aquele 'sorriso' que preenche qualquer vazio que insiste em continuar naqueles dias frios.
O jardim recebia o brilho do sol como se fosse um mergulho na própria vida.
As flores exalavam um aroma tão gostoso e as cores de suas pétalas eram confundidas com as asas das borboletas que dançavam no ar.
O beijo-flor azul enamorava as flores encantado com tamanha beleza.
Não.
Não era uma beleza qualquer...
Era como a beleza de Dôra Doriana.
Dôra Doriana era uma mulher sofrida, pele queimada de sol, rugas nos olhos e testa, mas o sorriso dava um ar tão jovial àquela face que chamava a atenção de todos que a rodeavam e até de quem a desconhecia.
Dôra Doriana, era mulher na carne. Na alma, menina.
Os anos castigavam seu corpo, porém continuavam intactos o seu desejo de viver e apreciar o que muitos já desaprendera.
Gostava de conversar com as rosas. Seriam amigas desde a infância?
A brisa da manhã tocava em sua face e Dôra Doriana ria como se fossem cócegas naquele rosto marcado pelo tempo.
Adorava quando a chuva a visitava sem marcar hora. Ela não tinha agendas. Seu horário estava sempre à disposição da vida.
Dôra Doriana era uma mulher que carregava muitas cicatrizes mas não deixava que nenhuma dessas trouxessem a dor das lembranças. Ela sabia que o passado já não mais existia e que estar no presente era o presente mais bonito e gracioso que poderia usufruir.
Tantas marcas...
Tantas dores...
Nada disso a fez perder o brilho dos olhos e compartilhar aquele sorriso contagiante.
Dôra Doriana aprendeu a viver naquele mundo rotineiro. Cotidiano simples.
Mas acima de tudo... Aprendeu não a sobreviver... Viver!
E tudo isso, porque deixou de correr para contemplar.
Contemplar a beleza da vida.
A beleza que há em viver.

sábado, 13 de agosto de 2016

Uma canção pra acariciar a alma

Essa é uma daquelas canções que não precisa dizer nada.

Só sentir... ;-)