terça-feira, 31 de agosto de 2010

A gruta das letras

Desfaleço...
Não! Definitivamente, não há como dominá-las...
Correm, fogem, se escondem e por trás das rochas ficam espiando meus movimentos, minha agonia, meu desespero.
Já dentro de mim há uma revolução. Os mais variados sentimentos brigam entre si.
Todos querem ter o primeiro lugar pra ganhar vantagem e ir ao encontro das letras que escondidas ficam nas grutas.
Se elas soubesse que eu só gostaria de brincar...
Não há como machucá-las, feri-las...
Elas, sim, machucam minha'lma quando resolvem desaparecer.
Sento, calada, choro.
Desfaleço...
É como se todas as cores se transformassem em um cinza grafite...
Tudo perde a graça!
Elas entram em greve e eu na angústia.
A gruta é escura e não há espaço pra que eu possa entrar. Elas se divertem as minhas custas, já que podem moldar seus tamanhos e jeitos.
Ah! Onde estão vocês pequenas linhas flexíveis!?
Venham para fora. Encontrem-me na trilha onde há rosas, onde há espinhos.
Vocês podem escolher com qual companhia desejam trilhar: sorrisos ou lágrimas?
Não discutirei...
Ficarei observando o espetáculo da dança que fazem ao se lançarem em alguma folha de papel...
E assim, emudecida vou presenteá-las com um único nome: INSPIRAÇÃO!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Um antigo amor que é eterno...

Algumas histórias precisam ser revividas e quando viajamos pelo túnel do tempo nos damos conta do quanto é importante cultivar e cuidar bem do nosso grande amor!

De mãos dadas, caminhavam em busca de recordações que o tempo deixou fotografado em seus corações. Seus rostos já não eram aveludados como um pêssego, seus cabelos eram brancos como a alva lã, seus passos já não eram tão agéis e seguros. Mas o amor... Ah! O amor parecia renascer junto com o amanhecer. Ele era o cúmplice leal dos dois.
Lembravam do tempo de namoro, quando sentavam no banco da praça e saboreavam a maçã do amor; no meio de uma mordida e outra, uma jura carinhosa de amor escapava dos lábios para flechar o coração um do outro.
Lembravam do dia em que ele a pediu em casamento. Riram por um momento e as lágrimas vieram aos olhos:
"Lembra, querida, quando lhe levei ao cinema para assistirmos um romance? Ao terminar a última cena, pedi que todos os presentes fossem testemunhas do que iria acontecer ali. Fui à frente de mãos dadas com você e todos os olhares nos acompanharam. Ajoelhei-me aos seus pés e do bolso tirei uma pequena caixinha que guardava o símbolo infinito da escolha que fizemos e vivemos até hoje, e ternamente pedi a sua mão. Pensei que não conseguiria, meu coração estava tão acelerado, minha respiração ofegante, minhas mãos tremiam. Não era uma decisão qualquer. Era um convite pra dividir com você toda a minha vida!
Você chorou... Não conseguia dizer nada. Seus olhos brilhavam seu sorriso misturou-se com as lágrimas e baixinho ouvi de seus lábios: Sim!"
Pararam por um momento e lá estava a pracinha onde namoravam. Sentaram no mesmo banco onde tantas vezes, enamoraram e viram um filme passar em suas mentes.
E no dia do casamento? Ele, tremendo no altar aguardando sua amada e ela nervosa no carro querendo logo entrar pela porta da igreja.
Ah! Que dia!!! Simplicidade e beleza inundaram todo o ambiente.  Flores e luzes perfeitas!
A noiva parecia uma princesa dos tempos medievais e o noivo, um menino que não se cabia de tanta felicidade.
Passaram os anos e vieram os filhos. Dos filhos vieram os netos e até bisnetos já tinham...
Lembraram dos anos difíceis, quando ele havia perdido o emprego por causa da crise que se abatera na cidade e ela ao seu lado, batalhando e criando jeito e formas para o ajudar. Venceram!
Lembraram do difícil momento em que por um segundo, ele quase perdera sua metade quando ela enfrentou uma enfermidade que lhe abatera tão cruelmente. Ele não saiu do seu lado nem um instante sequer.
Lembraram das crises e das diferenças e riram delas...
Lembraram dos desafios e das tristezas e sorriram...
Até que as palavras se reservaram dentro de seus corações e somente a troca de olhares eram suficientes pra dizer tudo o que sentiam: "o antigo amor continuava novinho!"
Ele teve a oportunidade de ter tantas mulheres, mas ele sabia que ela era única.
Ela teve a chance de deixá-lo quando pediu que fosse viver sua vida no momento em que surgiu a sua enfermidade; ela não suportava vê-lo sofrer com a dor que tanta a incomodava e ele firme ali.
O amor os havia feito escravos!
Agora na velhice, depois de tantos anos, lá estavam eles sentados no passado, vivendo o presente e compartilhando o futuro que sonhavam.
Sim, eles sonham! E este sonho alimenta a esperança de um futuro melhor.
Quando atravessarem o portal da vida e encontrarem a morte, sabem que lá na eternidade o amor perdurará!

"Assim, permanecem agora estes três:
a fé, a esperança e o amor.
O maior deles, porém, é o amor!"
(I Co. 13:13)
Deus te abençoe!

domingo, 1 de agosto de 2010

Cavalheirismo


Não. Não estou distante...
Estou bem perto.
Mas para encontrar-me, necessitas ser um excelente observador.
Se procuras uma flor terás que visitar um jardim e se buscas uma rosa em especial deverás, minusciosamente, olhar todos os cantos.
Onde pensas que não estará o que procuras, ali verás.
Não basta observar, deve ser gentil.
Um rosa tem que ser admirada com os olhos e deixar-se encantar com a beleza de suas cores e sentir o perfume que graciosamente exala...
Se desejas possuí-la, precisas saber que ela possui espinhos. Espinhos são seus protetores fiéis. É necessário tocá-la com cuidado, com respeito, com delicadeza. Os espinhos que possui não são para ferí-lo mas seria perdoável se eles por um momento de fraqueza perfurasse seus dedos sem querer. Os espinhos foram preparados para ensinar sobre o perdão.
Se desejas carregar uma rosa na mão saiba que ela não durará muito tempo...
Cultive-a no jardim...
Pela manhã, invista seu tempo para elogiá-la, oferecer a água para matar a sua sede, o adubo para fortalecer a sua raíz...
À tarde, ainda que estejas distante, procure dar uma olhada pela janela. Deixe que ela perceba que a sua distância não roubou a sua atenção...
Quando a noite chegar e a lua oferecer a sua prateada luz, veja as estrelas aplaudindo a beleza que desabrochou de um modo singular durante a luz do sol e revelou sua esplêndida graça à noite.
Sim... Encontrarás o que deseja quando procurares com atenção o que seu coração tanto busca.
Não sejas precipitado no falar... Sussurre!
Não toques ansioso... O olhar dirá tudo!
Ame com intensidade... Invista, cultive, cuide, invista, cultive, cuide...invista, cultive, cuide!
Se for ferido, perdoe e se por algum momento os seus espinhos a ferir, transforme-se em beija-flor.
Não. Não estou distante...
Estou bem perto!

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Momentos sagrados...

Se existe um tempo que eu guardo em minha memória como se guarda um diamante em um cofre, este tempo é a infância.
A infância é sagrada!
É um momento mágico onde as nossas inocentes fantasias são varinhas de condão.
Não recordo-me de nada sofisticado, tecnologias ou coisas assim...
Lembro dos meus brinquedos: uma casinha, fofolete, suzi, peteca, escova de cabelo redonda (meu microfone...rsrs), piscina redonda de 1000lts. verde, uma bicicleta que só usei quando podia andar com as rodinhas laterais. Quando meu pai as tirou, parei de andar... Acreditem ou não: "Não sei andar de bicicleta!" rsrsrsrs
Ah! Mas vivi momentos que me fazem suspirar até hoje...
Lembro de um parquinho que ficava bem pertinho de casa. Minha mãe costumava me levar pra andar de velotrol (lembram deste brinquedo?). Mas o que eu gostava mesmo era subir num pequeno monte gramado (hoje, chamaria de pequenina ladeira) e deitava no chão e rolava livremente com a roupa cheia de matinhos grudados...
E quando eu quase destruí minha casinha de brinquedo querendo ser a "mamãe"!?...
Abri o forninho, coloquei uma vela acesa, enchi a panelinha de latão com água, pitada de sal, arroz cru e um pouquinho de matinho (pra dar sabor, claro...rsrs) e fiz que ia cozinhar... A minha panelinha de latão virou um lixão. Ficou tostadinha...
Ah! Tempo bom...
Tinha uma piscina verde redonda de 1000lts. que compartilhava com minhas amigas. Acredite! Nessa piscina cabiam umas 03 garotinhas...rsrs... Mas, quando não havia nenhuma amiga pra brincar "tacava" sal na água e fazia naquele meu círculo mágico a minha praia...
Nunca alcançava a cor desejava. Branca era. Branca ficava...rs
Hoje, já fabricam casinhas de tecido ou plástico...
No meu tempo (não muito distante...rs) eu unia as duas poltronas de cabeça pra baixo, cada uma e cobria com um lençol. Pronto! Minha casinha estava pronta...
Não tínhamos necessidade de ter muito mas com o pouco que tínhamos eu e minha irmã soubemos aproveitar bem...
Fazíamos caixinhas "porta-treco" com palitos de sorvete...
Bordava em pequenos lencinhos desenhos alienígenas... rsrsrs... na tentativa de bordar uma flor, uma casinha, uma criança...
Ah! Tempo sagrado...
Tenho a impressão que o Criador sentado em Seu trono tinha o desejo de se tornar humano e brincar ali comigo, ri das minhas travessuras (micos), dançar comigo as músicas do Balão Mágico, Trem da Alegria, Patotinhas... Fico imaginando o Criador com o desejo de sentar na beira da minha cama contando as histórias do Snoop, Sítio do Pica-Pau Amarelo...
Mas... Quem foi que disse que Ele não estava ali?
Ah! Embora eu não o visse com meus olhos sempre tive a convicção de que Ele era e é presente em cada momento da vida...
Mas a infância é sagrada! É sagrada porque é regada de pureza, inocência...
É o infantil misturado com o divino quando você olha pra o céu e nas nuvens começa à enxergar bichinhos e em sua mente montar histórias incríveis... Quando a meia-luz você brinca com as sombras e desenha animais na parede sem tinta... Quando você assopra um canudinho regado de água e sabão e sopra na asas do vento e voa juntamente com elas que de forma tão leve e encantadora explodem suavemente espirrando gotículas de águas em nosso rosto suado de tanto brincar...
Infância é sagrada e deve ser respeitada...
Ah! Que saudade eu tenho...

Deus te abençoe!

domingo, 18 de julho de 2010

Aquarela




Mais um poema meu escrito nas páginas do DESCANSO DA ALMA onde meu amigo poeta, Thiago Azevedo abre as portas pra uma simples aprendiz...

Atenção!

É necessário ler com o coração pra sentir a alma ser acariciada!

Deleite-se aqui...