terça-feira, 12 de outubro de 2010

Brincando com o céu

Triste era a sua vida aos olhos de quem o observava.
Sempre quieto em seu pequeno quarto, protegido de um mundo que não era seu.
Não tinha amigos e nem inimigos era só um ser relacionando consigo mesmo.
Em seu mundo limitado e pequeno brincava com os céus, falava com a lua, sorria pra cada estrela que apontava e adorava montar bichinhos em sua imaginação com as nuvens que se formavam...
Talvez, você me pergunte: "Quem nunca brincou com o céu?" E eu lhe responderei: "Todos! Mas como este pequeno ser, ninguém!"
O céu era a sua liberdade!
Ele deitava no chão de seu quarto e por horas fitava o imenso azul através de sua janela que sempre estava aberta... Era como se os seus olhos fossem sugados pelo infinito que ele jamais tocara.
Ria ao ouvir da lua os segredos de cada estrela sapeca que aprontava na galáxia e chorava com as nuvens ao vê-las tristes derramando a chuva.
Sua pureza e inocência emocionava a todos que o observavam, nada o feria em seu pequeno mundo.
Quem o observava sentia pena mas essa era uma palavra que ele jamais conheceu, não tinha tempo pra sentimentos pequenos. Sua alma e coração possuíam a grandiosa felicidade e até em suas dificuldades não se deixava abater. Era corajoso mais do que muita gente "normal".
Quando recebia visitas de alguns de sua família soltava uma gargalhada gostosa, beijava as faces presentes e corria ao redor de cada um como se houvesse descoberto um tesouro.
Sua simplicidade e força de viver contagiava a todos que o conheciam.
Mas sua vida já não cabia mais em seu pequeno corpo, suas limitações o impediram de descobrir o universo.
Partiu sem deixar herança, mas deixou sua marca!
Por ser altista ensinou que a vida mesmo sendo tão curta e frágil pode ser bem vivida!
Antes de fazer a sua viagem final, olhou aos céus e cantou uma canção que acabara de fazer:
"Um dia vou passear com as estrelas que piscam, ainda vou caminhar na trilha das pequenas nuvens e vou sussurrar no ouvido da lua o que me faz tão feliz... O céu é o meu jardim!"


domingo, 3 de outubro de 2010

Sussurros de vida

Suas mãos teceram os fios da vida.
Seu sopro fez a doce brisa tomar forma dentro de mim.
Seu olhar atraiu-me com a graça que fluía em Seu ser.
Suas mãos tomaram, gentilmente, as minhas e aceitei Seu convite de caminhar pelos vales e altos montes, por desertos e florestas...
Quando sinto que meus pés estão feridos da caminhada, faz com que eu suba sobre os Seus pés e ao caminhar me tira pra dançar.
Seu amor não compreendo, não desiste jamais de mim...
E eu, que tantas vezes, na minha fragilidade tentei abrir mão de ser o que me chamou pra ser.
Já me olhei no espelho e algumas vezes, vi minha imagem distorcida.
Já me olhei no espelho e também vi uma menina que procurava abrigo nos braços de Seu Pai.
Não ouso falar, aprendo com Você no silêncio.
Seus atos de bondade constrangem-me ao ponto de perder o chão.
Sua lealdade é o meu cobertor nos dias frios.
Sua graça e perdão lapidam meu ser...
Suas mãos teceram-me e Seu trabalho não parou...
Rasgo-me como um tecido velho e Suas mãos com tanto carinho tomam e refazem-me de novo.
Rasgo-me com a fragilidade dos meus erros e da minha estrutura tão cheia de rachaduras e Suas mãos com amor tocam, reconstroem e valorizam-me!
Sussurraste em meus ouvidos que sou Seu poema, fechei meus olhos e fiz desse poema uma canção pra agradecer por ter a honra de Lhe pertencer.
Sou Seu poema, antes em folha empoeirada e amarelada...
Sou Seu poema, agora em folha limpa e escrita com esperança.
Sou Seu poema e Você o Autor da minha vida!

sábado, 2 de outubro de 2010

À procura dos meus versos



Sinto uma dor fina quando desejo derramar em uma folha qualquer os versos que nascem dentro de mim.
A dor nasce da angústia de sentir-me sufocada em desejar ver os versos fluirem na correnteza das linhas e perceber que as comportas se fecharam.
Não sei como posso abrir...
Minha alma clama, brada pra que as palavras sejam libertas.
Eu choro, lamento, silencio, emudeço...
Permito-me sentir a dor dessa procura na ânsia de desejar vê-las surgir como o sol no amanhecer, que aos poucos lança seus raios sobre a terra, trazendo a luz, calor e a beleza que me cerca...
Nada!
Onde estão? Por que fogem?
Meu corpo sente o burburinho que os versos produzem na alma...
Minha mente se transforma em uma galáxia onde os pensamentos mais diversos flutuam sem gravidade...
Não há letras... Não há palavras... Não há versos... Nem poemas...
Só sentimentos...
Querem explodir! Gritam por liberdade...
Seu brado é silencioso. Somente eu as ouço, somente eu as sinto...
Ai, que dor fina que fere minha alma, desfalece meu coração...
Enquanto as letras fogem para o deserto, sinto que em mim há uma multidão desvairada, enlouquecida no trânsito das emoções...
E permaneço à procura dos meus versos...
Não...
Não desistirei!

domingo, 19 de setembro de 2010

Ergam as taças!

Podem julgar-me boba, sentimental demais, romântica a flor da pele, sonhadora sem nunca acordar...
Não importa!
Mas se há algo que tenho como pedra preciosa e guardo com cuidado e amor; rego como uma flor delicada e frágil, esse algo é a amizade.
Não falo de qualquer "amizade". Falo de AMIZADE!
Hoje, chamamos muitos de amigos mas não passa de um jeito carinhoso de tratar alguém...
Quando encontramos O AMIGO, nem sempre o chamamos assim. Talvez, não haja uma palavra que pronuncie o valor da amizade de alguém e que nos faça chamá-lo no meio de uma multidão de um modo diferente... Não sei! Acho que quando a amizade é verdadeira quem é amigo sabe que falamos dele!
Não sou boa pra falar e tenho minhas limitações pra expressar sentimentos. Esse meu jeito reservada já enganou muito gente...
Tenho facilidade de chorar junto com quem sente dor ou atravessa uma tempestade, mas tenho dificuldade de encontrar as palavras certas pra consolar. Prefiro abraçar!
Se me permitem, não quero falar de tristeza mas, sim, da alegria!
Alegria em ver o sucesso dos amigos.
Há quem se preocupe com o sucesso do outro e deixa nascer em seu coração a raíz da inveja. Pobre pessoa!
Eu gosto de festejar, celebrar a vitória dos meus amigos depois de enfrentarem seus obstáculos, quando ultrapassam seus limites, quando vencem seus medos, quando alcançam o inesperado...
Eu celebro porque a amizade me dá esse privilégio de estar junto em todos os momentos...
Atravessar os vales, abismos...
Chorar, sentir a dor...
E depois, rir e muito do passado que poderia matar mas que na realidade só serviu pra lapidar e nos dar sabedoria pra viver um futuro mais alicerçado, mais forte, mais esperançoso!
Celebro o sucesso dos meus amigos porque entendo que a felicidade deles é minha também e se nos momentos difíceis choramos juntos, por que não celebrar nos momentos de alegria?
Levantemos as nossas taças que foram cheias de lágrimas e bebemos sorrisos celebrando a amizade.
Acredito que o amor é uma faceta nobre da amizade e creio que amizade sem amor é tão vazio quanto uma taça seca que se oferece a beber o nada!
Celebremos a amizade!
Ergam suas taças!
Tin-tin!

P.S.: Homenagem simples mas com amor pra #CMA

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O gosto de gostar do gosto da chuva...

Eu gosto de dormir embalada pela canção que a chuva toca no telhado.
Sua voz é doce, seu tamborilar tranquilo, suas gotas são melodias angelicais...
Gosto da chuva!
Gosto de caminhar na chuva...
Sentir seu toque em minha pele, a sua carícia em meus cabelos, o seu beijo em meus olhos embaçando minha visão com ternura.
Ah! Como eu gosto da chuva...
Ela nos convida a dançar de dia e a noite nos convida a ninar...
Ouvir sua sinfonia na madrugada é como estar em seus braços, sentir o balançar do pra lá e pra cá, até que o sono volte e com o sono, eu volte a sonhar...
A chuva gosta dos solitários!
Ela os acompanha, enquanto esses caminham silenciosamente, perdidos em seus pensamentos e sentimentos à procura de alguém pra entrelaçar os dedos. A chuva é escorregadia, jamais poderia segurar a mão de quem quer que seja.
Mas..., indiferente? Não, ela não é.
Ela acompanha as lágrimas do moribundo...
Ela abraça o despejado...
Ela brinca com a criança de rua...
E leva consigo quem já cansou de lutar...
Talvez, esse seja o motivo pela qual muitas pessoas não gostam de usar o guarda-chuva...
Ele nos impede de sentir seu hálito quando vem acompanhado pelo vento.
Não, importa!
Eu gosto da chuva.
Com ela viajo pra dentro de mim e passeio pelos momentos gostosos que um dia vivi.
Ela me oferece alimento quando sinto desejo de alimentar-me com sonhos...
A chuva é gentil.
A chuva é forte e frágil!
A chuva é para os solitários...
A chuva é para os sonhadores...
A chuva é a mãe cantando uma canção de ninar pra seus filhos que já estão grandes...
Sim! Eu gosto da chuva.